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domingo, 15 de janeiro de 2017

A parábola. Do rico e Lázaro.


O Estado Do Homem Após A Morte (Parte V)
I – INTRODUÇÃO
O nosso Senhor Jesus tinha verdades para apresentar aos Seus ouvintes que os tornariam sábios para a salvação. Com o objetivo de atrair a atenção deles, Ele lhes ensinava por parábolas. Era um método comparativo de se ensinar. Uma parábola é uma alegoria e não é um fato real. Através os ensinos de Jesus o desconhecido era ilustrado pelo conhecido. A esse respeito diz a Bíblia: “Tudo isto disse Jesus por parábolas à multidão... para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta, que disse: Abrirei em parábolas a Minha boca; publicarei coisas ocultas desde a fundação do mundo.” Mateus 13:34 e 35. 
Os detalhes da história do rico e Lázaro não podem ser interpretados literalmente, pois era uma parábola de uso corrente no pensamento judaico. Nos capítulos 15 e 16 de Lucas, Cristo apresenta várias parábolas em resposta à preconceituosa discriminação dos escribas e fariseus, presos às suas tradições, sem amor para com as classes marginalizadas. Neste contexto é apresentada a parábola do rico e Lázaro (Lucas 16:19-31), que aparece no final desses dois capítulos. Esta parábola precisa ser entendida e interpretada corretamente à luz da Palavra de Deus.
II – O RICO, LÁZARO E ABRAÃO – QUEM ELES REPRESENTARAM?
A parábola é caracterizada por um forte contraste entre “certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente” (Lucas 16:19) e certo “mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caiam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas” (Lucas 16:20-21). 
Com esta narrativa, Jesus pretendia repreender as classes dominantes judaicas, muito especialmente os fariseus, “que eram gananciosos” (Lucas 16:14); os saduceus que faziam pouco caso da esperança messiânica e não acreditavam na ressurreição (Marcos 12:18-27); e os escribas que impunham fardos pesados e difíceis de serem suportados, presos às suas tradições. Os relatos bíblicos indicam que os escribas e fariseus julgavam-se mais dignos do favor divino e por isso foram considerados os mais desgraçados espiritualmente aos olhos de Deus (ver Mateus 23). O homem rico é uma representação de desses judeus nominais, mergulhados em seu orgulho farisaico, os quais seguiram rigorosamente suas tradições, sem demonstrarem amor para com os gentios. Os judeus deveriam ser depositários dos oráculos divinos e uma luz para as nações. Os reis da Terra deveriam caminhar vendo a glória de Deus sobre eles (Isaías 60:3). Contrariando os propósitos de Deus, os judeus nominais partilhavam de um excessivo orgulho nacional e julgavam-se salvos pela indisputável condição de serem considerados “filhos de Abraão”. Eles possuíam uma incalculável riqueza de cunho espiritual. Sobre eles repousavam as bênçãos de Deus, mas infelizmente eles as empregavam egoistamente para a sua própria honra. Por não terem desempenhado dignamente suas responsabilidades, Jesus disse que o Reino de Deus lhes seria tirado e dado a uma nação que produzisse os devidos frutos (Mateus 21:42-46). 
Por outro lado, Lázaro, o outro personagem desta narrativa de Jesus, era um mendigo que desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico. Especificamente nesta parábola Lázaro representava os gentios, uma classe marginalizada pelos líderes judeus. Diante dos abastados judeus, falando-se espiritualmente, os gentios viviam de migalhas, pois eram tratados com indiferença. De acordo com Mateus 15:21-28, o Senhor Jesus não queria operar o milagre a uma mulher cananéia, dizendo que não seria bom tirar do pão dos filhos e dar aos cachorrinhos, significando que Ele tinha vindo para as ovelhas perdidas da casa de Israel e não para os gentios. A mulher replica, dizendo que os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores, significando que ela não queria tudo, mas apenas um único favor do Senhor. O Senhor Jesus vendo sua fé, fez o que ela pediu. Assim viviam os gentios. Assim era o Lázaro da parábola, uma representação dos gentios, tal como a mulher cananéia. 
E Abraão, o que ele faz nesta parábola? Para o povo judeu o patriarca Abraão era muito respeitado e é considerado o pai da fé. Com exclusividade todo judeu diz ser filho de Abraão e herdeiro da promessa. No entanto, o Senhor Jesus passa a ensinar uma preciosa lição a esses judeus que se consideravam exclusivistas. Nesta narrativa o mendigo Lázaro foi levado pelos anjos ao seio de Abraão, que é uma representação dos gentios que aceitaram a Jesus, os quais participarão da mesma bênção de Abraão. Sobre esse assunto o apóstolo Paulo escreveu o seguinte: 
“Sabei, pois, que os que são da fé, esses são filhos de Abraão. Ora, a Escritura, prevendo que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou previamente a boa nova a Abraão, dizendo: Em ti serão abençoadas todas as nações. De modo que os que são da fé são abençoados com o crente Abraão.” Gálatas 3:7-9.
III – PARÁBOLA? OU FATO REAL
Esta narrativa apresentada pelo Senhor Jesus continha idéias pagãs dos persas e egípcios, conceitos talmúdicos e metáforas judaicas. Cristo se utilizou dessa crença popular da época com o objetivo de inculcar importantes verdades em lugar dessas opiniões preconcebidas encontradas na literatura rabínica. 
A parábola do rico e Lázaro é falsamente interpretada por muitos estudantes superficiais da Bíblia e é equivocadamente mencionada como prova do galardão imediato após a morte. A grande maioria da cristandade considera esta narrativa de Jesus como um fato real e não como uma parábola. Crêem que após a morte os bons e maus transformam-se em espíritos intangíveis, enquanto que seus corpos permanecem na sepultura. Segundo o entendimento desses religiosos, se o homem for bom, após a morte terá um lugar no seio de Abraão e se for mau, seu destino é o inferno, onde os que chegam lá são eternamente atormentados pelo diabo e seus anjos. É exatamente aí que reside o engano. Fica muito difícil interpretar esta parábola como um fato real pelos seguintes motivos:
1. Esta parábola nada diz sobre almas ou espíritos imortais partindo do corpo dos mortos. O Senhor Jesus, quando apareceu aos Seus discípulos após Sua ressurreição, disse que “um espírito não tem carne, nem ossos, ...” Lucas 24:39. Com base nas palavras do Senhor Jesus, o espírito é algo imaterial. No entanto, o rico, após a morte tinha “olhos”, “dedos” e “língua”, isto é, partes consideradas reais do corpo humano (Lucas 16:23 e 24). 
2. Esta narrativa não é um relato literal, senão a situação tornar-se-ia um tanto indesejável, pois o lugar onde estarão os justos (seio de Abraão) e o lugar onde estarão os ímpios (hades) seriam espaços tão próximos que os ímpios poderiam enxergar os justos e também conversar com eles. Certamente não seria um lugar de alegria e felicidade, pois os salvos poderiam acompanhar de perto os infindáveis sofrimentos de seus entes queridos que se perderam.
3. Esta parábola não pode ser interpretada literalmente, caso contrário ela estaria em contradição com as Escrituras Sagradas quanto à inconsciência dos mortos até o dia da ressurreição (Jó 14:10-12; Salmos 6:4-5; Eclesiastes 9:5, 6 e 10). Diz o relato bíblico que tanto o Rico e o Lázaro morreram (Lucas 16:22). Enquanto morto, o Rico começa a dialogar com Abraão, o qual também morreu e ainda não foi ressuscitado (Hebreus 11:8-10 e 13). Se alguém quiser provar através esta parábola que os mortos falam e estão conscientes, com certeza terão muita dificuldade em explicar a vívida parábola das árvores que “foram uma vez a ungir para si um rei” e mantiveram entre si uma conversação (ver Juízes 9:7-15; II Reis 14:9). Por que não tentar provar por essa parábola que as árvores falam e que elas têm reis? Como essa parábola é figurativa, assim o é a parábola do Rico e Lázaro.
4. Há nesta narrativa um outro aspecto que nos leva a aceitar que a mesma não é literal: Se o “seio de Abraão” é o lugar para onde vão os salvos por ocasião da morte, para onde foram aqueles que morreram antes de Abraão?
5. A parábola não tem o objetivo de revelar o que acontece após a morte, mas confirmar que as instruções dadas por Deus na Sua Palavra são suficientes para nos conduzir à salvação. Quando o rico pediu a Abraão que mandasse Lázaro à casa de seu pai a fim de avisar os seus cinco irmãos quanto ao inferno, Abraão respondeu: “Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.” Respondeu então o rico: “Não! Pai Abraão; mas se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender.” Abraão, porém, lhe disse: “Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.” Lucas 16:27-31. A narrativa, portanto, em parte nenhuma fala de espíritos desincorporados, nem que voltem para avisar os homens. Ao contrário, quando fala nessa volta usa o termo “ressuscitar”. Cristo com esta declaração estabeleceu uma dupla salvaguarda:
a) Moisés e os profetas seriam os guias seguros para os vivos, concernentes ao seu destino após a morte. Para obter a vida eterna, o ser humano precisa viver em plena conformidade com a vontade de Deus revelada através de Moisés e os profetas, ou seja, através os ensinamentos das Sagradas Escrituras. Após Sua ressurreição, quando dois de Seus discípulos caminharam em direção à aldeia de Emaús, o Senhor Jesus aproximou-Se deles e “começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes o que dEle se achava em todas as Escrituras.” Lucas 24:27. Mais tarde, em Jerusalém, Jesus aparece aos onze discípulos e demais que estavam com eles. Nesta oportunidade Ele lhes disse: “São estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de Mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras.” Lucas 24:44-45. Se aqueles judeus, mergulhados em seu orgulho farisaico, tivessem compreendido as Escrituras, certamente teriam aceitado o Messias.
b) Através esta parábola Jesus ensinou-nos ainda que a única maneira de alguém voltar dentre os mortos é através da ressurreição (Lucas 16:31)..
IV - CONCLUSÃO
Não há dúvidas de que esta parábola foi apresentada pelo Senhor Jesus com o objetivo de esclarecer definitivamente algumas questões espirituais muito importantes:
a) Que o destino eterno de cada pessoa é decidido nesta vida e jamais poderá ser revertida na era vindoura, nem mesmo pela intervenção de Abraão; 
b) Que o destino eterno de cada pessoa é determinado pelo uso que ela faz das riquezas espirituais recebidas de Deus;
c) Que o Abraão da parábola ao afirmar que os cinco irmãos do rico têm “Moisés e os profetas”, deixou evidente a necessidade de cada pessoa ter uma vida em total conformidade com a vontade de Deus através os ensinamentos das Escrituras Sagradas em sua totalidade. 
Quando Cristo apresentou a parábola do rico e Lázaro, muitos judeus viviam na condição lastimosa do rico, usando os bens espirituais que Deus lhes havia dado para a própria satisfação egoísta. Foram favorecidos com todas as bênçãos temporais e espirituais, todavia recusaram cooperar com Deus no uso destas bênçãos. Recusaram partilhar estas bênçãos com os gentios. Como resultado da infidelidade deles, Jesus disse que o reino de Deus lhes seria tirado e dado a uma nação que produzisse os devidos frutos (Mateus 21:42-46). Isto mostra o endurecimento de Israel e a entrada dos gentios no plano da salvação. Este endurecimento cessará na vinda de Jesus (Romanos 11:11-15, 25-27). Apesar do endurecimento como nação, nada impede que individualmente os judeus sejam salvos.
Assim, cumprindo os propósitos de Deus, judeus e gentios, que recebem a Jesus, passam a ser “descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa.” Gálatas 3:29.
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